O GOLE AMARGO DA SAUDADE

 

Espero que você nunca perca o desejo,

Mas que um dia provando um outro beijo

Sinta saudades também dos meus.

E olhando para o passado, vendo o que perdeu,

Voltando não me encontre mais por lá.




Se ainda sim quiser lembrar,

Que falte eu e sobre as nossas lembranças.

Que morra no seu peito a esperança,

Que meu orgulho não vai nesse velório

Lhe visitar.





Você pode até esperniar,

Dizer que fez tudo errado,

Que era melhor tá do meu lado

Ao invés de João qualquer.

Que era feliz sendo minha mulher

E rainha do meu encanto,

Que eu não arredo o pé do canto,

Pra mim tanto faz,

Não quero mais

E não volto atrás na minha agonia.


Posso ter sido seu homem um dia,

Banhado de carinho e desejo.

Rato morre atrás do queijo,

E o amor não tem outro destino.

Se for para amar sozinho,

Eu prefiro não tá acompanhado.





Deixe na gaveta meu coração embrulhado,

E meu carinho pendurado em um preguinho.

Quem usa do amor sem zelo e cuidado

Merece beber da saudade o gole amargo,

Sem nunca mais adoçar o vinho.

© 2025 Diêgo Feghalli. Poema: “O Gole Amargo da Saudade”. Todos os Direitos Autorais Reservados - Lei 9.610/98

Imagen da Pintura e Ilustrações inspiradas: “The Kiss” (O Beijo), pintura de Gustav Klimt, 1907–1908. Domínio público.


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